Turismo, lazer e esportes aquáticos abrem caminhos para valorizar os reservatórios, gerar oportunidades e fortalecer o desenvolvimento local.

O uso múltiplo dos reservatórios coloca o turismo, o lazer e os esportes aquáticos no centro de uma nova agenda para os municípios sedes de usinas hidrelétricas e alagados. Quando conduzidas de forma consciente, essas atividades geram desenvolvimento, conservam os recursos naturais e reforçam os valores ambientais.

Elas também ajudam a mudar a forma como a sociedade enxerga a natureza. E o potencial é enorme: o Brasil detém uma das maiores reservas de água doce do mundo.

Turismo, um setor em crescimento

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), “o Turismo é na atualidade um dos setores econômicos que apresenta os mais elevados índices de crescimento no mercado mundial, pois movimenta em torno de US$3,5 trilhões anualmente e na última década, suas atividades cresceram aproximadamente 57%”.

A agência também destaca o papel ambiental da atividade: “o Turismo deverá se transformar em um agente de valorização e conservação do patrimônio ambiental, cultural e não obstante o fortalecimento do princípio da sustentabilidade” (ANA, 2005, p. 01).

O que diz a Lei das Águas sobre o uso múltiplo

A Lei Federal nº 9.433/1997, conhecida como Lei das Águas, instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e estabeleceu o princípio dos usos múltiplos. Assim, a norma garante a todos os setores o direito igualitário de utilizar a água.

Os usos múltiplos e a gestão desses recursos incluem o turismo. A atividade, porém, deve observar os princípios de conservação e preservação (Pertille e Lanzer, 2026).

Esportes aquáticos em lagos e reservatórios

A prática de esportes aquáticos em lagos e reservatórios federais é permitida e integra o princípio do uso múltiplo dos recursos hídricos previsto na Lei das Águas. Entre as modalidades mais comuns estão:

Essas práticas movimentam o turismo, oferecem lazer, promovem bem-estar e fortalecem a economia local.

Experiências de sucesso no turismo e na pesca

O país já reúne diversos casos de sucesso que unem turismo e pesca. O turismo ecológico e a pesca alcançaram maior desenvolvimento no Pantanal e na Amazônia.

Nessas regiões, as principais atividades incluem pesca, mergulho, trilhas ecológicas, passeios de barco, safáris fotográficos, esportes de aventura e visitas a grutas.

Reservatórios como ativos dos municípios alagados

Valorizar os reservatórios é imprescindível. Eles podem gerar cada vez mais oportunidades e fortalecer o desenvolvimento local, o que os torna um forte ativo dos municípios sedes de usinas hidrelétricas e alagados.

Essa é uma das causas mais defendidas pela AMUSUH (Associação Nacional dos Municípios Sedes de Usinas Hidroelétricas e Alagados). A entidade trabalha para conscientizar os gestores municipais sobre o potencial dos recursos hídricos.

O objetivo é impulsionar o desenvolvimento socioeconômico dos municípios, por meio da geração de empregos, do fortalecimento da economia local e da ampliação das oportunidades de lazer e turismo, contribuindo, para o aumento dos repasses da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH).

Estudo da AMUSUH apresentado ao MMA

O compromisso da AMUSUH com o uso múltiplo dos lagos resultou em um estudo realizado em 2019 e apresentado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), ao Desenvolvimento Regional; a Secretaria de Assuntos Federativos e a Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca, Operador Nacional do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O documento trata do Cenário Atual do Marco Regulatório dos Usos Múltiplos das Águas de Reservatórios de Usinas Hidroelétricas.

O estudo trata do equilíbrio ecológico entre a geração elétrica e outras formas de geração de renda, como aquicultura, pesca esportiva, turismo e lazer. Segundo o documento, esse equilíbrio é primordial para que novas alternativas de desenvolvimento econômico e social cheguem, de forma gradual, aos municípios sedes de usinas e alagados. Na época, eram mais de 42 milhões de brasileiros em 734 municípios.

Hoje, a AMUSUH representa 748 municípios em 21 estados, onde vivem 43 milhões de habitantes. Juntos, eles somam 41 mil km² de áreas alagadas e respondem por 47% da energia elétrica do país.

Um caminho para o desenvolvimento sustentável

Turismo, lazer e esportes aquáticos mostram que os reservatórios vão além da geração de energia. Com uso consciente e respeito aos princípios de conservação, os lagos se tornam vetores de renda, emprego e desenvolvimento sustentável para os municípios alagados.