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El Niño em alerta: AMUSUH orienta municípios a redobrarem a atenção diante dos efeitos climáticos

11 ago, 2026

AMUSUH alerta gestores municipais para possível queda na CFURH devido ao EL Ninõ e reforça a importância de preparação diante do cenário.

 

Mas afinal o que é o El Niño? Trata-se de um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e costuma ocorrer a cada dois a sete anos, alterando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo. No Brasil, seus efeitos costumam incluir intensificação do calor, maior risco de seca em partes do Norte e Nordeste, além de chuvas acima da média na região Sul.

O El Niño está de volta e seus impactos tem se espalhado pelo Brasil como: inverno mais quente e primavera mais chuvosa que o normal no Sul, primavera mais seca e mais quente na maior parte do Sudeste, além de seca no Norte e Nordeste do Brasil.

El Niño é a fase quente de uma grande oscilação acoplada oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical, denominada em conjunto El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Nesta fase, a temperatura da superfície do mar (TSM) está acima do normal no Pacífico central e leste. O nome El Niño foi formalmente utilizado pela primeira vez em 1891, no Boletim da Sociedade Geográfica de Lima. Atualmente, o termo é usado apenas para nomear episódios mais fortes deste tipo, que coincidem com a fase quente da oscilação. Já o termo Oscilação Sul foi criado por Walker em 1923, para descrever a oscilação de pressão atmosférica associada, entre Pacífico leste e oeste.

Segundo Boletim do Painel El ninho que cita as previsões relacionadas ao fenômeno El Niño para o período de 2026 e 2027, bem como os possíveis impactos associados, podemos destacar os seguintes pontos por região em relação aos impactos positivos e negativos, segundo apuração do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET:

Resumo por região do Brasil : agosto, setembro e outubro de 2026:

No norte a previsão climática é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média.Os principais benefícios são: Favorecimento da colheita do milho de segunda safra e do algodão; Facilitar as operações de campo e a secagem natural dos grãos e dos capulhos e os principais riscos e pontos de atenção são: Intensificação da demanda evaporativa da atmosfera e redução da disponibilidade de água no solo; Possibilidade de intensificar a deficiência hídrica, especialmente em áreas com menor disponibilidade de água; Reduzir a disponibilidade de forragem e afetar a pecuária, culturas perenes e frutíferas e aumentar o risco de incêndios em vegetação.

No Nordeste a previsão climática é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média, os principais benefícios são: favorecimento da colheita do milho de segunda safra e do algodão no MATOPIBA; Favorecimento da secagem natural dos grãos e capulhos e os principais riscos e pontos de atenção são: Dificuldade no estabelecimento da safra de verão 2026/27 devido à menor recarga do solo; Redução do potencial produtivo das lavouras de sequeiro quando a restrição hídrica coincidir com fases de desenvolvimento sensíveis; Elevar a demanda por irrigação na fruticultura e aumentar os custos de produção e reduzir a disponibilidade de água e forragem para a pecuária.

Já no Centro oeste a previsão climática é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média. Os principais benefícios são o favorecimento da colheita do milho de segunda safra, algodão, sorgo e das lavouras mais tardias de trigo e feijão e proporcionar boas condições para as operações agrícolas. Os principais riscos e pontos de atenção: intensificação da deficiência hídrica, principalmente no norte de Mato Grosso e no norte/norte de Goiás; Possibilidade de elevar a demanda por irrigação das culturas ainda em desenvolvimento e comprometer pastagens, recursos hídricos e preparo das áreas para a implantação da safra de verão 2026/27.

No Sudeste a previsão climática é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média. Os principais benefícios são o favorecimento da colheita das culturas de segunda safra e de inverno e contribuição para a secagem natural de grãos. Os Principais riscos e pontos de atenção são: possibilidade de acelerar o ciclo das culturas de inverno e reduzir o enchimento de grãos; Poderá afetar cana-de-açúcar, citros, culturas perenes e pastagens, especialmente em áreas de sequeiro; Probabilidade de dificultar o preparo das áreas para a safra de verão devido à baixa recarga de água no solo.

Na região Sul a previsão climática é de chuvas acima da média e temperaturas acima da média. Os principais benefícios são: Beneficiar ou prejudicar as culturas de inverno, dependendo da fase fenológica das lavouras; favorecimento da implantação das culturas de verão, como milho e soja e redução do risco de geadas tardias no final do inverno e início da primavera. Os principais riscos e pontos de atenção: O excesso de chuva e umidade poderá favorecer doenças no trigo e na aveia; Dificultar a colheita e reduzir a qualidade dos grãos, além de comprometer a trafegabilidade das máquinas.

Por fim, recomenda-se acompanhar as previsões de curto prazo para reduzir os riscos de replantio associados a eventos de chuva intensa.
Outro ponto de atenção aos Municípios Sedes de Usinas Hidroelétricas e Alagados são as previsões de alerta de seca extrema que segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3) parcial do trimestre (maio-junho-julho) de 2026, o número de municípios classificados em situação de Seca Severa totalizou 55, representando um aumento em relação aos 38 registrados no trimestre anterior (abril-maio-junho). Em comparação com o mesmo trimestre de 2023 (maio-junho-julho), período que marcou o início do último evento de El Niño, o cenário atual é menos severo, no El Niño anterior foram registrados 239 municípios em seca severa e 10 em seca extrema.

No entanto, nota-se que a seca moderada e suas categorias mais intensas estão deslocadas mais ao norte e centralizadas na região do Matopiba e mantida a situação de seca severa: em Alto Rio Negro/AM (Polo Cumaru), Kaiapó do Pará/PA (Polo Tucumã); Novo registro de seca severa: DSEI Parintins/AM (Ponta Alegre) e Novo registro de seca severa: DSEI Tocantins/TO (Polo Tocantínia).

Destaca-se a manutenção da condição de seca severa na Reserva Biológica União (RJ) e na Reserva Biológica Augusto Ruschi (ES), bem como o registro de novos casos na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins (TO/BA), na Floresta Nacional de Cristópolis (BA) e na Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi (AM/RR).

Outro fator que cabe atenção dos Municípios Sedes de Usinas Hidroelétricas são os alertas de previsão de risco de fogo, a previsão para (agosto-setembro-outubro) mostra uma intensificação significativa do risco sobre o interior do Brasil em relação à previsão do mês anterior, refletindo a consolidação da estação seca.

As áreas em “Alerta Alto” expandem-se principalmente sobre o Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso, e sobre a maior parte da Região Norte, onde houve um aumento considerável do risco em relação ao mês anterior. Houve também expansão das áreas em condição de “Alerta” sobre o oeste da Região Nordeste e no Sudeste, especialmente em Minas Gerais. Recomenda -se a intensificação das ações de monitoramento, prevenção e preparação operacional para o combate do fogo.

Para a Amazônia Legal, a perspectiva para o trimestre, seguindo o modelo de eventos de fogo ocorridos em 2023/2024, elaborado pelo CENSIPAM, é de queimadas intensas principalmente nos estados de Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso, e no Amazonas, Acre e Rondônia. O estado de Roraima, por outro lado, apresenta o período de seca entre os meses de dezembro a março, com perspectivas de aumento de queimadas entre dezembro e abril.

Recomendações aos Estados e Municípios:

Revisar e atualizar os Planos de Contingência e demais instrumentos de planejamento equivalentes para cenários associados ao El Niño; Fortalecer os processos de monitoramento, alerta e comunicação de riscos, assegurando a utilização integrada de previsões, avisos, alertas e demais produtos técnicos como subsídios à tomada de decisão; Intensificar a articulação entre os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec) e os demais sistemas setoriais relacionados à gestão de riscos e desastres, especialmente nas áreas de recursos hídricos, meio ambiente, saúde, assistência social e segurança pública; Identificar previamente capacidades e recursos disponíveis para pronta resposta, priorizando áreas e populações potencialmente mais vulneráveis aos impactos do fenômeno

Recomendações à População: Realizar a atualização/cadastro para recebimento de alertas das defesas civis locais; permanecer atenta às previsões, avisos e alertas oficiais dos órgãos competentes e conhecer os potenciais riscos de desastres na sua cidade e no seu bairro bem como estar ciente do plano de contingência, com os locais seguros e as rotas de fuga a serem utilizados.

A Associação dos Municípios Sede de Usinas Hidroelétricas e Alagados reafirma seu compromisso em alertar os Municípios quanto aos riscos do Fenômeno El Niño, trata-se de um momento delicado que exige atenção e cuidado, além de ações de prevenção quanto aos recursos hídricos, secas e queimadas.

Outro ponto de alerta extremo:

“É de extrema relevância que os gestores Municipais se preparem para o cenário da Compensação Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos – CFURH, que poderá permanecer em queda até outubro, segundo previsões em razão dos efeitos do El Niño ”.

Fontes:

(INMET)

(SEDEC)

(INPE)

(ANA)

(SGB)

(CEMADEN)

(CENSIPAM)

 

 

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