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Uso múltiplo dos lagos: como municípios alagados podem transformar água em desenvolvimento

21 ago, 2026

Aquicultura, turismo e pesca esportiva surgem como alternativas para gerar emprego, renda e fortalecer a economia local nas regiões afetadas por usinas hidrelétricas.

Os reservatórios de usinas hidrelétricas vão muito além da geração de energia. Sozinhos, eles abastecem 47% de toda a energia produzida no país. Usados de forma planejada e sustentável, tornam-se instrumentos de desenvolvimento econômico, social e ambiental para os municípios sede de usinas hidroelétricas e alagados.

O que é o uso múltiplo dos lagos

O uso múltiplo das águas permite compartilhar os lagos artificiais entre diferentes atividades produtivas. A prática concilia a geração de energia com iniciativas que movimentam a economia local e ampliam as oportunidades para a população.

Entre os segmentos que mais crescem estão a aquicultura, o turismo náutico e a pesca esportiva. Juntas, essas atividades geram empregos, atraem investimentos e fortalecem cadeias produtivas regionais.

Aquicultura movimenta a economia dos municípios

A criação de peixes em tanques rede já se consolidou como alternativa para diversificar a economia local. Além de produzir alimentos, a atividade movimenta o processamento de pescado, o transporte e o comércio. Também impulsiona o turismo na região.

Turismo náutico atrai visitantes e renda

O potencial turístico representa uma oportunidade estratégica para os municípios. Eventos esportivos, por exemplo, transformam os lagos em polos de lazer e atraem visitantes. Essa movimentação amplia a arrecadação municipal e incentiva o empreendedorismo local.

Pesca esportiva soma milhões ao setor

A pesca esportiva vive expansão semelhante. A modalidade movimenta milhões de reais por ano no Brasil e promove o turismo sustentável. A atividade beneficia diretamente guias de pesca, operadores turísticos, hotéis, restaurantes, postos de combustível e o comércio regional.

Além de gerar energia limpa e renovável, os reservatórios preservam recursos naturais e fomentam o turismo e a pesca. O potencial econômico gerado por essa combinação ainda é pouco medido.

Demanda mundial por energia deve crescer até 2030

Segundo artigo de Fábio Darci Kowalski, da Universidade Regional de Blumenau (FURB), a demanda mundial por energia deve quase dobrar até 2030. O dado aponta para uma tendência de expansão e modernização de usinas hidrelétricas nos próximos anos, especialmente no Brasil, país ainda em desenvolvimento.

AMUSUH defende políticas para o uso múltiplo dos lagos

A AMUSUH discute o tema em diálogos com agências reguladoras e com Órgãos do Governo.

A entidade foi participe junto ao Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA) sobre o uso múltiplo dos lagos. As ações conjuntas embasaram mudanças legais para desburocratizar e impulsionar o desenvolvimento da aquicultura em águas da União, atividade considerada estratégica para a promoção da segurança alimentar, geração de emprego, renda e fortalecimento das economias locais. Um reflexo dessas interlocuções é o sólido Acordo de Cooperação Técnica entre a AMUSUH e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) desde 2015 que objetiva o fortalecimento entre as partes no intuito de realização de ações de interesse mútuo, visando desenvolvimento sustentável da aquicultura nos municípios, além de promover ações de apoio e divulgação no desenvolvimento da aquicultura de forma ordenada, planejada e sustentável.

Reservatórios podem virar vetores de desenvolvimento regional

Com planejamento, responsabilidade e integração entre União, estados, municípios e iniciativa privada, os reservatórios podem deixar de ser vistos apenas como estruturas de geração de energia. Podem se consolidar como vetores de desenvolvimento regional, gerando emprego, renda e qualidade de vida.

A AMUSUH atua para conscientizar a sociedade sobre a importância desses recursos e defende avanços conjuntos no uso da água, da energia e do uso múltiplo dos lagos.

Para a Associação Nacional dos Municípios Sedes de Usinas Hidroelétricas e Alagados (AMUSUH), incentivar o uso múltiplo dos reservatórios amplia as oportunidades de desenvolvimento para municípios que contribuem diretamente para a geração energia elétrica do país. Muitos desses municípios ainda enfrentam limitações econômicas causadas pela formação dos lagos.

A entidade defende políticas públicas que garantam segurança jurídica, simplifiquem o licenciamento, ampliem investimentos em infraestrutura e ofereçam apoio técnico aos municípios. Essas medidas permitirão explorar plenamente o potencial econômico das regiões sem comprometer a preservação ambiental.

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