Sem usinas, Pantanal ‘perderia’ 81 mil MW

SÃO PAULO A ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal e Estadual do Mato Grosso do Sul para suspender a construção de hidrelétricas nos rios no entorno do Pantanal, até que seja elaborado um estudo sobre o impacto do conjunto dos empreendimentos no pulso de cheias e vazantes da região, coloca em jogo a oferta de 81.480 MW. Essa oferta refere-se apenas a nove projetos outorgados ou em obras, listados no Banco de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica, e duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) informadas pelo governo do Mato Grosso, todos na Bacia do Alto Paraguai.

Apenas no estado do Mato Grosso estão em operação 56 PCHs. Segundo o secretário de Indústria do estado, Pedro Nadaf, as pequenas hidrelétricas, com capacidade de geração de até 30 MW, são responsáveis pela autossuficiência matogrossense.

Antes delas, salientou, o estado dependia do fornecimento de termoelétricas movidas a óleo diesel, mais poluentes.

– Se os projetos já foram outorgados ou estão em construção é porque já cumpriram todas as etapas de licenciamento ambiental – diz Nadaf, afirmando que o Mato Grosso.

Contrária aos novos projetos, a bióloga Débora Calheiros observa que 70% do potencial hidrelétrico da Bacia do Alto Paraguai já estão em uso, e que as novas hidrelétricas de pequeno porte são capazes de gerar apenas 2% do total do país. Ela argumenta que a sociedade precisa decidir se vale a pena, por um percentual baixo de energia, causar riscos ao Pantanal.

Além do questionamento em relação às hidrelétricas no Pantanal, Mato Grosso também vê usinas localizadas no Norte do estado sendo alvo de ações. Apenas no Rio Teles Pires estão previstas, segundo o secretário, cinco usinas hidrelétricas, todas em fase de obras. A maior delas é a Teles Pires, de 1.800 MW. Há duas semanas, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região paralisou as obras da usina, por falta de consulta aos povos indígenas afetados pela obra.

*Fonte: O Globo – 22/08/2012