Preços de importados caíram 3,1%

Os preços médios em dólar na importação de bens intermediários e de consumo não duráveis caíram. De agosto a outubro, os intermediários importados ficaram 3,8% mais baratos em relação ao mesmo período de 2011. A queda no caso dos bens de consumo não duráveis foi de 3,4% na mesma comparação.

Os preços médios em dólar na importação de bens intermediários e de bens de consumo não duráveis caíram ao longo dos últimos meses. De agosto a outubro, os intermediários importados ficaram 3,8% mais baratos em relação aos mesmos meses de 2011. O preço dos bens de consumo não duráveis caiu 3,4% na mesma comparação.

Responsáveis, juntos, por 52,8% do valor de toda importação brasileira, os dois segmentos contribuíram bastante para a queda de 3,1% no preço médio

do total dos desembarques, no mesmo período, segundo cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

Para especialistas em comércio exterior, a queda resulta da combinação entre a superoferta de bens no mercado internacional e a renegociação de preços entre o fornecedor externo e o importador, que dividiram um pouco a desvantagem trazida pela desvalorização do real frente ao dólar.

Como essa desvalorização fez o importado ficar mais caro na conversão para a moeda nacional, o fornecedor externo e o importador negociaram o preço para que o produto desembarcado não refletisse o novo patamar mantido pelo governo desde o início do ano com dólar em torno de R$ 2.

Esse câmbio já provocou renegociação de preços e se reflete nos desembarques atuais, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Rodrigo Branco, economista da Funcex, diz que a renegociação contribui, mas o efeito maior decorre da grande oferta de bens no comércio internacional, que ainda provoca redução de preços dos fornecedores, principalmente onde a demanda doméstica cresce, apesar da desaceleração.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências, diz que esse efeito é mais evidente nos intermediários, que representam 45,1% do valor total da importação brasileira. “Isso acontece em razão da ociosidade do setor produtivo em mercados externos importantes”, diz.

A queda de preços, diz Campos Neto, é uma tendência dos últimos meses em razão da mudança de perspectiva do crescimento econômico de outros países. Entre o fim de 2011 e o início deste ano, diz, a expectativa era de melhora, o que contribuiu para uma elevação dos preços de importação nos primeiros meses de 2012. Com o decorrer do ano, o nível de melhora estimado, porém, não se concretizou, e, além das preocupações com a zona do euro, o crescimento da China, importante destino das exportações brasileiras, diz, chegou a ser alvo de atenção maior nos últimos meses. “Isso fez tanto os preços de importação como os de exportação perderem força e levou a uma estabilidade nos termos de troca”, afirma Campos Neto.

Os dados da Funcex mostram que a queda de preço de importação é um fenômeno que se consolidou nos últimos meses. Em outubro, a redução de preço dos bens intermediários importados foi de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2011. No acumulado até outubro, em razão das variações positivas do início do ano, a queda é menor, de 0,9%, em relação a igual período do ano passado. Na comparação dos 12 meses encerrados em outubro com os 12 meses anteriores, ainda há elevação de 1%.

O mesmo acontece com o preço dos bens de consumo não duráveis. Em outubro, os produtos desembarcados nessa categoria ficaram 6,7% mais baratos em relação a outubro de 2011. No acumulado do ano, a redução de preço foi de 0,2%, enquanto a comparação dos 12 meses encerrados em outubro aponta crescimento de 0,3%.

Os dados da Funcex mostram que, ao contrário dos preços, houve elevação do volume de intermediários e de não duráveis importados. De agosto a outubro, os intermediários tiveram alta de 1,92% na quantidade desembarcada, em relação aos mesmos meses de 2011. Essa elevação, combinada com a queda de 3,8% nos preços no mesmo período, deu origem a uma redução de 1,65% do valor importado de intermediários. Na mesma comparação, os bens de consumo não duráveis tiveram alta de 13,6% no volume importado. Com a redução de preço de 3,4%, o valor importado em não duráveis caiu 9,85% de agosto a outubro.

Rodrigo Branco, da Funcex, diz que o crescimento no volume de intermediários pode indicar recuperação da produção industrial doméstica. Ele ressalta, porém, que é necessário verificar se essa elevação manterá nível de crescimento próximo do de outubro, quando houve alta de 16% na quantidade de intermediários desembarcados, frente ao mesmo mês de 2011. Branco reconhece que a elevação em outubro foi forte, mas lembra que em setembro houve redução de 8% no volume de intermediários.

A alta no volume de importação de não duráveis, diz Branco, reflete a demanda doméstica para esse tipo de bem, acompanhando o desempenho do varejo, o que contribuiu também para colocar a China no topo da lista dos países que mais exportam para o Brasil.

Os dados da Funcex mostram comportamento divergente entre a importação de bens de consumo duráveis e a de não duráveis, tanto em termos de preço quanto de volume. Enquanto os não duráveis apresentaram nos últimos meses queda de preço e aumento de volume, os duráveis ficaram, de agosto a outubro, 1,9% mais caros que em iguais meses de 2011. O volume, no mesmo período, teve redução de 19,3%.

José Augusto de Castro, da AEB, diz que os preços podem ser explicados pela medida do governo que elevou em 30 pontos percentuais, a partir de dezembro do ano passado, o IPI de importados. Até dezembro de 2011 ainda havia desembarques representativos de veículos coreanos e chineses, que contribuíam para baixar o preço do mix de importação de carros.

*Fonte: Valor Econômico – 10/12/2012