Petróleo abre oportunidade no comércio com os EUA

O comércio bilateral Brasil-EUA na área de energia chegou a US$ 13,7 bilhões em 2011, dez vezes mais que o obtido uma década antes. O número deverá aumentar ainda mais ao longo dos próximos anos com a exploração gradual do petróleo da camada pré-sal, fim das barreiras alfandegárias ao etanol brasileiro, produção de gás de xisto nos EUA e a adoção gradual no Brasil das redes inteligentes de energia (smart grids, nome em inglês). O valor não abrange o fornecimento de máquinas e equipamentos, o que elevaria as cifras.

Os embarques brasileiros de todos os produtos enviados para o mercado americano somaram US$ 25 bilhões no ano passado, sendo que energia respondeu por US$ 6,4 bilhões, cerca de um quarto do total, segundo estudo do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos.

Há dez anos, o percentual estava em 7,3% da pauta. O petróleo lidera a lista com vendas de US$ 5,8 bilhões, enquanto o etanol fica em segundo lugar com embarques de US$ 567 milhões.

Já do lado dos EUA, as exportações para o Brasil somaram US$ 33 bilhões em 2011, sendo que US$ 7,3 bilhões foram de bens de energia, ou 22% do total. “Em 2001, isso estava em 3%”, afirmou Diego Bonomo, diretor para Políticas Públicas do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. Na lista dos bens de energia exportados para o Brasil, o petróleo lidera com US$ 4,5 bilhões, o carvão fica em segundo lugar, com US$ 1,9 bilhão, e o etanol somou US$ 791 milhões no ano passado.

De olho em mais negócios e em intercâmbio de informações, o secretário-executivo do ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, se reunirá em outubro para conversar com o vice-secretário de Energia dos Estados Unidos, Daniel Poneman, para uma rodada de conversações. O encontro ocorrerá no âmbito do diálogo estratégico de energia, lançado em março de 2011, quando o presidente americano, Barack Obama, visitou o Brasil. Nessa reunião, as empresas poderão participar pela primeira vez do diálogo, segundo Francisco Romário Wokcickj, secretário-executivo adjunto do MME no Brasil.

Um dos interesses brasileiros é a exploração do gás de xisto (shale gas), que tem tido uma expansão muito forte nos EUA. “Queremos ver de perto esse assunto e analisar as questões ambientais e regulatórias que o cercam”, afirmou o secretário.

O potencial de comércio entre os dois países é ainda muito grande. Um setor que poderá ter grande destaque é o de biocombustíveis. Depois de mais de três décadas de discussão, no fim de 2011, o Congresso americano decidiu pela retirada da tarifa que vigorava desde 1980 sobre o etanol brasileiro, que representava um aumento de custo de US$ 0,54 por galão (ou US$ 0,27 por litro) ao produto brasileiro. O fim da barreira tarifária somou-se à decisão da agência ambiental americana que considerou em 2010 o etanol brasileiro um biocombustível avançado, por emitir 50% menos gases de efeito estufa do que a gasolina, o que conferiu um prêmio ao biocombustível brasileiro. “Essa decisão abre novas perspectivas”, disse a embaixadora Mariângela Rabuá, diretora do departamento de energia do Ministério de Relações Exteriores, que frisa que o Brasil também tem interesse em mais cooperação na área da bioenergia, com destaque para biocombustíveis usados na aviação comercial.

*Fonte: Valor Econômico – 13/08/2012