O consumo das famílias volta a crescer com força

A reação do comércio varejista em junho, em relação ao mês anterior, com aumento de 1,5% em volume de vendas (calculado com ajuste sazonal) e de 1,9% no faturamento nominal, surpreendeu quem fez previsão a partir dos dados da associação dos supermercados.

Mas não é nada anormal, levando em conta que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis e produtos da linha branca deve terminar em 31 de agosto. Por isso, registra-se um aumento de 16,4% do volume de venda de veículos e peças (que só aparecem no comércio varejista ampliado), enquanto as vendas de móveis e eletrodomésticos crescem 5,3%, na margem.

Esse resultado, confirmado quando a comparação é realizada com o mesmo mês do ano anterior, levanta o problema delicado de saber como as vendas reagirão quando o IPI voltar a seu nível normal. Seria o caso, certamente, de o governo tomar consciência de que em regime normal os impostos são excessivamente elevados e providenciar uma redução de impostos em todos os produtos.

Parece mais sadia e normal a evolução do volume das vendas nos hipermercados, supermercados e de produtos alimentícios, da ordem de 0,8%, enquanto nos dois meses anteriores se havia registrado valores negativos. Esse setor, que tem maior peso nas estatísticas do comércio varejista, é um indicador precioso da situação social do País e da reação popular diante de uma elevação do custo de vida em que a alimentação tem maior participação. Em relação ao mesmo mês de 2011 registrou-se um crescimento de 11,3%, resultado mais moderado do que em meses anteriores, mas que reflete a inflação de preços dos produtos agrícolas.

Dos oito setores analisados no comércio varejista (não ampliado), um único apresenta redução, aliás significativa (8,9%): o dos equipamentos informáticos e de comunicação. Podemos considerar que isso tem que ver com a alta nas compras de veículos e, além disso, os produtos informáticos, com componentes importados, tiveram aumento de preços e sofreram certamente com a greve do pessoal da alfândega.

Parece que se pode dizer que, como aposta, o segundo semestre deve ser melhor do que o primeiro. As famílias decidiram gastar mais, o que sob certo ponto representa uma anomalia, na medida em que aparece também um aumento do desemprego. A alta da compra de carros explica-se em razão do IPI, porém não acarreta, como poderia, redução de outras compras.

*Fonte: O Estado de S. Paulo – 17/08/2012