Metade da indústria tem tendência de melhora

Dos 27 ramos da indústria analisados pelo Iedi, 13 já apresentaram tendência de melhora em agosto

O resultado da indústria em agosto faz com que quase metade dos ramos industriais apresente recuperação. Dos 27 ramos da indústria, 13 estão com tendência de melhora, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O resultado apurado em agosto é bem mais positivo do que o de julho, quando apenas sete ramos apresentaram tendência de melhora – em junho, eram quatro.

Entre os setores com tendência positiva, estão alimentos (alta de 2,1% ante julho, segundo o IBGE) e veículos automotores (3,3%) – este último impulsionado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O levantamento do Iedi ainda aponta seis setores com oscilação, “que, por isso, não podem ser considerados como tendo uma tendência de melhora ou de que continuam com quadro ruim”. Nesse grupo, por exemplo, está o setor de equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (recuo de 2,7% em agosto ante o mês anterior). Em julho, eram oito ramos com oscilação.

A quantidade de ramos com tendência de desempenho ruim está em cinco, segundo o Iedi – o mesmo verificado em julho. Nesse grupo, estão calçados e artigos de couro (-0,1%). Há ainda a indústria extrativa, que foi classificada como menos ruim. Os setores de fumo e diversos não foram analisados.

Mudança. Na avaliação do professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Gomes de Almeida, o resultado da produção industrial em agosto foi “muito bom” e houve uma “mudança no quadro” do setor, que vinha com dificuldade de mostrar sinais de melhora, apesar dos incentivos do governo.

Entre os resultados, o professor da Unicamp destaca a melhora da indústria de bens intermediários, cuja variação positiva foi de 2% em agosto ante julho. “Quando esse setor cresce bem, toda a indústria cresce.”

Nesse cenário de melhora industrial, Almeida cita dois ramos importantes que tiveram reação: alimentos e veículos. Cada um deles representa cerca de 10% da produção industrial do Brasil. “No caso de veículos, há um fator decisivo de redução do IPI. É uma ação extra mercado e importante porque ela vai permitir que o setor ajuste completamente os seus estoques.”

A expectativa para os próximos meses, de acordo com o professor da Unicamp, é que o setor industrial continue crescendo. Na avaliação dele, a indústria não deve manter o ritmo de alta de 1,5% como em agosto. “Mas um crescimento de 1% pode acontecer nos próximos meses. A indústria deve ter uma etapa de melhora”, afirma.

Ele ressalta que os problemas estruturais da indústria continuam. Para Almeida, a melhora ainda está dentro de um quadro preocupação, sobretudo em relação à competitividade “No mundo atual, a nossa competitividade deixa a desejar”, diz. “Mas há um melhora do setor. É como se estivéssemos falando de um doente, cuja a febre diminuiu.”

*Fonte: O Estado de S. Paulo – 03/10/2012