Mercado de trabalho dá sinais de acomodação

A taxa de desemprego em janeiro deve ser, novamente, a menor da série para um primeiro mês do ano, mas economistas veem sinais de acomodação no mercado de trabalho nos últimos meses, ainda que em nível bastante elevado. As estimativas, de acordo com a média das projeções de dez consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, apontam para nível de desocupação de 5,3% da população economicamente ativa (PEA) em janeiro, ante taxa de 5,5% no mesmo mês de 2012.

Se confirmado este resultado, a taxa será maior do que a observada em dezembro, quando o desemprego foi de 4,6%, mas essa alta costuma ocorrer por questões sazonais, com o desligamento de trabalhadores temporários contratados para as festas de fim de ano. As projeções para a Pesquisa Mensal do Emprego, que será divulgada hoje pelo IBGE, variam entre 5,1% e 5,4%.

Para Fabio Romão, economista da LCA Consultores, o mercado de trabalho está mostrando sinais de acomodação há alguns meses,

ainda que em patamar bastante positivo. Ele projeta taxa de desemprego de 5,4% em janeiro, pequena queda de 0,1 ponto percentual em relação ao observado em igual mês do ano passado. Nas contas com ajuste sazonal da consultoria, no entanto, a desocupação teve pequena alta na passagem mensal, passando de 5,4% em dezembro para 5,5% em janeiro.

Para Romão, ao contrário do que ocorreu ao longo de 2012, neste ano a taxa de desemprego deve ficar, na média, praticamente estável em relação ao ano passado. Em 2011, a taxa de desemprego foi de 6%, média que recuou para 5,5% em 2012. Para este ano, Romão estima desocupação de 5,4%.

A expectativa é que a população ocupada tenha avançado 2,8% no mês passado, menos do que a alta de 3,1% vista em dezembro, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, como Romão também espera ganhos mais moderados para a renda real, a força de trabalho também terá expansão forte, já que a tendência é que mais pessoas voltem a procurar por emprego para reforçar o orçamento familiar. Em janeiro, a PEA deve ter crescido 2,7%, calcula o economista da LCA.

O Itaú também projeta alta de 2,7% da PEA em relação ao mesmo mês do ano passado. A população ocupada, segundo o banco, deve ter crescido 2,9% na mesma comparação, o que levará a taxa de desemprego a recuar de 5,3% um ano antes para 5,1% no primeiro mês de 2013.

A equipe econômica do banco ressalta, no entanto, que embora a recuperação lenta da economia tenha sido suficiente para manter as condições favoráveis do mercado de trabalho, a taxa de desemprego com ajuste sazonal mostrará apenas um pequeno decréscimo na passagem mensal, deixando patamar de 5,4% em dezembro para 5,3% no mês passado.

Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, também espera pequena queda da taxa de desemprego com ajuste sazonal feito pela consultoria, para 5,3% em janeiro, ante 5,4% no mês anterior. Para ela, o nível de desocupação permanece praticamente o mesmo nos últimos seis meses, o que aproxima os resultados do levantamento do IBGE com o cenário mostrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Divulgado na sexta-feira, o relatório mostrou que foram criadas apenas 28,9 mil vagas formais em janeiro, bem abaixo das expectativas do mercado. Para Thaís, os registros mostrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego desaceleraram também porque o grande impulso de formalização da mão de obra ficou para trás.

Thaís considera ainda que a alta do rendimento deve ser mais modesta em janeiro, principalmente porque a inflação elevada para o mês, de 0,86%, deve ter reduzido ganhos reais.

Romão, da LCA, também projeta desaceleração dos ganhos acima da inflação neste ano, tanto por causa do reajuste menor do salário mínimo quanto por causa da inflação média mais alta, que torna mais difícil ganhos reais. Para janeiro, o economista projeta alta de 2,7% do rendimento médio real habitual. Em dezembro, esse avanço, sempre ante igual período do ano anterior, foi de 3,2%.

*Fonte: Valor Econômico – 26/02/2013