Ideli e Lobão criticam demora nas licenças ambientais para usinas

“O animal em extinção vira o empreendedor”, diz ministra sobre atrasos

BRASÍLIA Os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, fizeram ontem duras críticas aos ambientalistas, destacando as dificuldades que o governo tem encontrado para conseguir as licenças necessárias para a construção de novas hidrelétricas no país. Eles participaram da assinatura de contratos para a construção das hidrelétricas de Baixo Iguaçu, no Paraná; e São Roque, em Santa Catarina.

– Tem certas licenças ambientais que demoram tanto que o animal em extinção vira o empreendedor

– disse a ministra Ideli, referindo-se aos problemas judiciais enfrentados para o licenciamento da usina de Baixo Iguaçu.

Lobão afirmou que não vê oposição às termelétricas como existe com as hidrelétricas. Apesar dos elogios internacionais quanto à energia limpa que o Brasil produz, “internamente só ouço críticas”, disse.

Sobre a ação na Justiça contra a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, ele afirmou que não foi decretado pela Justiça, mas sim por uma instância da Justiça.

– Nós temos recursos a outras instâncias. É assim que se faz em um regime democrático como o nosso – disse Lobão. – Tenho esperança que seja um assunto resolvido brevemente.

Lobão alertou sobre as dificuldades que podem ocorrer se a construção de Belo Monte perder a chamada janela hidrológica, período seco, em que as obras na região Norte podem ser feitas.

– Se perdermos um ano, isto tudo custará ao povo brasileiro – disse.

Lobão voltou a falar que os índios “não estão sendo molestados”:

– Não há um único índio que esteja sendo molestado em Belo Monte. Os ribeirinhos é que são molestados anualmente pelas enchentes.

A usina de Baixo Iguaçu terá capacidade de 350 megawatts (MW) e investimentos de R$ 1,13 bilhão. A hidrelétrica de São Roque, com 135 MW, receberá R$ 650 milhões em investimentos.

*Fonte: O Globo – 21/08/2012