DF quer produzir mais peixe

Semana do pescado busca incentivar a autossuficiência no DF, segundo mercado consumidor do país, com 5 mil toneladas por ano

O Distrito Federal é o segundo mercado de pescado do país — só fica atrás de São Paulo, mas produz apenas 15% do que consome. Dentro dessa realidade, foi lançada ontem a 9ª Semana do Peixe, na Central de Abastecimento do DF (Ceasa), para estimular o consumo entre brasilienses e brasileiros, mas também com foco no incremento da produção local.

“Precisamos incentivar os pequenos produtores a trabalhar com pescado e abastecer o nosso mercado”, disse o governador Agnelo Queiroz, que participou da solenidade ao lado do ministro da Pesca e Aquicultura (MPA), Marcelo Crivella.

Na linha de investir no início da cadeia do pescado, GDF e União reafirmaram o andamento do projeto-piloto da Granja do Ipê, na capital federal, apontado como modelo de piscicultura. “O DF vai ser exportador de peixe e tecnologia”, prometeu o ministro.

Bem mais saudável do que outros tipos de carne, o peixe tem conquistado cada vez mais o gosto do consumidor candango. Em apenas quatro anos (2007 a 2011), o consumo anual médio por habitante em Brasília passou de 12,8 quilogramas (kg) para 14kg, bem acima da média nacional, de aproximadamente 9kg per capita.

O aumento da procura acaba esbarrando na falta de infraestrutura dos produtores locais. Para se ter ideia, enquanto o total consumido gira em torno de 5 mil toneladas por ano, a produção só atinge mil toneladas anuais. O peixe mais produzido aqui é a tilápia, que tem grande aceitação.

É para tentar mexer nessa equação que entra a Granja do Ipê. Ela já funciona há algum tempo como um projeto de piscicultura da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF. Mas é por meio do apoio do MPA que está sendo desenvolvida uma ampliação das atividades. A intenção é, a partir dela, produzir anualmente 2,5 milhões de alevinos de espécies nativas e exóticas vindas de outros estados. Isso significa triplicar a capacidade atual de todo o DF. “É um modelo que está em elaboração e enxerga a cadeia como um todo. Vamos aumentar a produção e diminuir a dependência de fora, além de reduzir o preço para o consumidor”, argumenta Agnelo Queiroz.

Uma das preocupações do poder público para incentivar a cultura de pescado no DF e também no Entorno está relacionada à redução da distância entre o fornecedor e o consumidor. “O peixe é um produto que precisa estar perto do mercado. Peixe bom é peixe fresco”, resumiu o governador.

Ainda que o consumo seja maior do que a demanda no DF, no fim do ano passado foi aberto o Mercado do Peixe de Brasília, que funciona dentro da Ceasa. “Trabalhamos preferencialmente com o peixe fresco e vivo. A procura tem aumentado cada vez mais e a tendência é continuar crescendo”, afirma o administrador da unidade, Eimar Vagner, presidente da Haja Peixe — Associação de Produtores de Peixe da Região Integrada do Entorno de Brasília (Ride/DF).

Investimentos

O ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, disse que o Brasil precisa aumentar o mercado consumidor de pescado, produto mais consumido no mundo. Ele ressaltou os benefícios da carne branca em relação às demais e o esforço público que vem sendo desenvolvido na área. Nos próximos dias, a presidente Dilma Rousseff deve lançar um programa específico para o setor, com investimentos estimados em R$ 6 milhões para os aquicultores familiares. As linhas de crédito terão juros subsidiados e mais baixos, carência de três anos e prazo de 10 anos para pagamento. Como forma de absorver a produção, o pescado será incluído no cardápio de escolas e presídios, por exemplo. “O brasileiro precisa comer peixe”, resume Crivella.

*Fonte: Correio Braziliense – 04/09/2012