Desemprego recua para 5,7% em SP

Indústria volta a contratar e ajudou taxa cair ao nível mais baixo para o mês de julho, desde o início da pesquisa do IBGE, em 2002

A taxa de desocupação na região metropolitana de São Paulo caiu para 5,7% em julho, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Em junho, a desocupação estava em 6,5%, mesmo nível de julho do ano passado.

O desemprego em julho em São Paulo é o mais baixo para o mês desde 2002, quando teve início a série histórica do IBGE. A melhora do emprego foi influenciada sobretudo pelo início da retomada do setor industrial.

No mês passado, com ajuste sazonal, a ocupação na indústria paulista cresceu 0,6%, movimento inverso ao verificado nas outras regiões “A indústria vinha de saldo negativo nos últimos dois meses”, diz Caio Machado, economista da LCA.

Segundo Machado, os dados divulgados pela PME estão em linha com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho. O indicador do Ministério do Emprego e Trabalho (MTE) apontou uma volta da contratação no setor automobilístico, amplamente incentivado pelo governo federal.

Ontem, assim como ocorreu em julho, o IBGE não divulgou a média nacional da taxa de desocupação por causa da greve dos servidores do instituto – os dados da desocupação do Rio e de Salvador não foram tabulados.

Pela estimativa da Tendências Consultoria, o desemprego no Rio foi de 4,6% e em Salvador de 9,4%. No País, a desocupação teria ficado em 5,5%, o que para o mês de julho seria a mais baixa da séria histórica do IBGE. Em junho, a estimativa para o desemprego foi de 5,8%.

Em relação às outras quatro regiões metropolitanas pesquisadas no mês passado, somente Recife (6,5%) teve alta na desocupação tanto na comparação com junho (6,3%) como ante julho de 2011 (6,5%).

O IBGE classificou a queda do rendimento real como o pior indicativo da pesquisa de julho. Em São Paulo, o poder de compra do trabalhador caiu 1,1%, com destaque para os que trabalham nos segmentos de educação, saúde e administração pública (-3,8%) e de outros serviços (-4,3%). Já a indústria paulista seguiu pagando mais, tendo registrado alta no rendimento de 1,4%.

Alívio. O que também tem ajudado a taxa de desocupação no Brasil é o crescimento mais lento da População Economicamente Ativa (PEA). Dessa forma, há menos trabalhadores entrando no mercado de trabalho, o que pressiona menos o indicador. Na comparação anual, por exemplo, a PEA cresceu 1%, enquanto o emprego avançou 1,6%. No recorte mensal, o emprego cresceu 2,5% em maio e 1,9% em junho. Nesses meses, a PEA avançou 1,9% e 1,5%, respectivamente. “Em períodos de baixa atividade econômica, a pessoa deixa de buscar um emprego. E numa alta, ela volta a procurar”, diz Juan Jensen, professor de economia do Insper e sócio da Tendências Consultoria.

Recuperação. Para o economista, deve haver uma retomada da economia brasileira neste segundo semestre, mas a taxa de desemprego deve aumentar dos atuais patamares. “O mercado de trabalho sempre reage com pouco mais de desafazem. Deve haver um movimento melhor para o ano que vem, justamente refletindo um segundo semestre de 2012 um pouco melhor”, afirma Jensen.

*Fonte: O Estado de S. Paulo – 24/08/2012