Comércio e indústria reforçam PIB fraco no 4º tri

Os dados do varejo, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elevam as chances de um resultado fraco para o Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2012. No terceiro trimestre, o PIB cresceu apenas 0,6% sobre o segundo. As projeções para o quarto situam-se entre 0,7% e 1%, mas os dados do comércio e da indústria nos últimos meses do ano deram força às projeções mais pessimistas.

Na série com ajuste sazonal, o volume de vendas do comércio ampliado mostrou alta de apenas 0,6% na comparação entre o quarto e o terceiro trimestre, uma expressiva desaceleração em relação ao resultado do terceiro trimestre sobre o segundo, quando o volume de vendas cresceu 2,1% sobre o segundo trimestre. O resultado do comércio ampliado, que inclui automóveis e construção civil, é o dado do varejo que mais se aproxima daquele utilizado pelo instituto para os cálculos do PIB.

Além do comércio, a indústria já havia sinalizado enfraquecimento. Do segundo para o terceiro trimestre, ela foi um dos setores que impediu um resultado ainda mais fraco do PIB. A produção do setor (pela Pesquisa Industrial Mensal do IBGE) cresceu 1% no terceiro trimestre sobre o segundo, ritmo que virou negativo no quarto trimestre em relação ao terceiro, quando a produção encolheu 0,3%.

Além desses dois segmentos, os dados já disponíveis de produção, importação e exportação de bens de capital e de execução de obras públicas não indicam que o investimento tenha reagido fortemente no último trimestre do ano. Pelo contrário, a produção de bens de capital, pelo IBGE, encolheu 2% no quarto trimestre sobre o terceiro, quando havia ficado estável (0,2%) sobre o segundo trimestre, sempre nos dados com ajuste sazonal.

A salvação do PIB no quarto trimestre pode vir, no entanto, do setor de serviços, um segmento para o qual existem poucos indicadores antecedentes. No terceiro trimestre, a queda do PIB de transações financeiras (de 1,3%) influenciou o resultado de serviços, que variou zero na comparação com o segundo trimestre, em um resultado que levantou muita polêmica sobre como o IBGE faz esses cálculos dentro das contas nacionais.

O resultado foi influenciado pela própria queda dos juros e do spread bancário, que continuaram em retração nos últimos três meses do ano. Em valores, os dados do Banco Central sobre novas concessões de crédito no último trimestre mostram alta nominal (sem descontar inflação e sem ajuste sazonal) de 5% na média diária em relação ao terceiro trimestre.

Em resumo, indústria, comércio e investimento não fecharam o ano com dados que animem as já fracas previsões para o PIB e reforçam a tese de que o país conviveu no fim de 2012 com uma equação curiosa (e difícil do ponto de vista da condução da política monetária), que combinou inflação em alta com atividade desacelerada.

*Fonte: Valor Econômico – 20/02/2013