Combustível não sobe

A disparada em janeiro da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), superou expectativas e vai dificultar novos reajustes dos combustíveis ao longo deste ano. Esse cenário preocupa a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que pressiona o governo por mais aumentos nos preços da gasolina e do diesel para zerar a defasagem entre os valores cobrados no mercado doméstico em relação aos refinados importados. A Petrobras apresentou, em 2012, prejuízo de R$ 22,9 bilhões na divisão de abastecimento.

Na terça-feira, Graça Foster afirmou que os valores praticados desde 30 de janeiro aliviaram o caixa da estatal, mas ainda são insuficientes para equilibrar o balanço e sustentar seu ousado plano de investimentos. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) calcula que a gasolina nas refinarias é vendida com defasagem de 13,8% ante os preços dos Estados Unidos; o diesel tem preço 21,7% inferior no país, apesar dos reajustes dos feitos no fim de janeiro.

“Se mesmo com a redução nas tarifas de luz, o IPCA continua pressionado, é improvável novo aumento dos combustíveis”, disse Lucas Brendler, analista da corretora Geração Futura. Ele lembra que a preocupação do Planalto com o controle da inflação é maior do que com o resultado financeiro da Petrobras. A expectativa do governo é de que o desconto médio de 18% na conta de luz este mês compense as altas de 6,6% na gasolina e de 5,4% no diesel.

*Fonte: Correio Braziliense – 08/02/2013