Com seca no Nordeste, governo aciona usinas térmicas

Nível de reservatórios de hidrelétricas está, em média, na metade da capacidade

O agravamento da seca que atinge principalmente a Região Nordeste levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a determinar a geração de 2.500 megawatts (MW) de energia de origem térmica a gás natural. O presidente do ONS, Hermes Chipp, explicou que o objetivo é garantir que os reservatórios das hidrelétricas das regiões Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste não fiquem abaixo dos níveis mínimos de segurança em novembro próximo, quando termina o chamado período seco. A geração térmica tem um custo maior, que será pago pelos consumidores. De janeiro até agosto, os gastos adicionais com essas usinas foram de R$ 86 milhões.

– Os reservatórios estão com níveis não como gostaríamos que estivessem, mas nada que preocupe. Estamos com maior atenção na Região Nordeste por causa do fenômeno El Niño – explicou Chipp.

Segundo dados do ONS, os reservatórios da Região Nordeste estão com a média de 50,9% de sua capacidade. Pelo sistema interligado, o Sudeste está enviando para o Nordeste cerca de 2.500 MW de energia. O presidente do ONS explicou que em novembro os níveis dos reservatórios na região devem estar em 34%.

sem desabastecimento

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios estão com um nível médio de 56,2%. Em novembro, a meta do nível de segurança nessas duas regiões é de 41%. Na Região Sul, o nível dos reservatórios está em 60,9%, enquanto na Região Norte está em 59,7%.

Segundo Hermes Chipp, outros cerca de 2 milMW de origem térmica estão sendo gerados por ordem de mérito, ou seja, neste momento seu custo é menor do que o de uma hidrelétrica. Além disso, mais 2 mil MW estão sendo gerados nas usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.

– Não há risco de desabastecimento no país. A gente opera um ano garantindo o abastecimento do ano seguinte. O que varia em função da hidrologia é o custo de operação para garantir o atendimento com mais ou menos térmicas – explicou o presidente do ONS.

*Fonte: O Globo – 06/09/2012