Colheita de grãos deve bater novo recorde em 2012/13

Desde que o clima colabore, a produção brasileira de grãos poderá bater um novo recorde e alcançar 180 milhões de toneladas nesta safra 2012/13, estimou na quinta-feira o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. No ciclo 2011/12, apesar da estiagem que no verão prejudicou as lavouras nas regiões Sul e Nordeste do país, foram 165,9 milhões de toneladas, 1,9% mais que em 2010/11, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira pela Conab. O aumento foi garantido pelo forte avanço da segunda safra de milho, sobretudo em Mato Grosso.

Não fosse a seca, afirmou Rocha, o volume previsto para 2012/13 já teria sido atingido na temporada passada. Nesse contexto, o otimismo do secretário em relação à safra que começará a ser semeada no fim desta semana pode ser considerado moderado.

Ele ainda está cauteloso, por exemplo, em relação à soja, tradicional carro-chefe da produção que, com a seca, perdeu o posto para o milho em 2011/12. Enquanto estimativas privadas sinalizam que a colheita da oleaginosa poderá chegar a 82 milhões de toneladas, ante 66,4 milhões no ciclo passado, Rocha disse que “é razoável imaginar que não vamos chegar a 80 milhões”.

Como já informou o Valor, em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, o enfraquecimento do El Niño pode levar a um atraso das chuvas e prejudicar a produtividade em algumas áreas. Por enquanto, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação da agricultura e pecuária do Estado (Famato), prevê a colheita local de soja em 24,1 milhões de toneladas, 13% maior que a de 2011/12. Em geral, a tendência é que a área de soja no país cresça e que parte desse avanço aconteça em detrimento do milho – inclusive no Sul – já que as margens da oleaginosa, que tem mais liquidez, estão atraentes.

Para o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto, os produtores de milho têm mesmo motivos para preocupações. “O Brasil vai acabar essa safra [2011/12] com estoques de passagem de mais de 10 milhões de toneladas de milho. O preço de hoje no mercado nacional acompanha a bolsa de Chicago e está totalmente descolado da realidade”. As cotações do milho subiram mais de 30% no país desde julho, em razão dos reflexos da quebra da safra americana, também prejudicada por uma severa estiagem, nas cotações internacionais. Apesar do estoque, o governo tem problemas para transportar o cereal de regiões bem abastecidas para outras carentes, em parte por causa dos conhecidos gargalos logísticos brasileiros.

E esse estoque de milho será elevado, apesar das exportações – que, graças à safrinha, também baterá recorde. A Conab estima os embarques da temporada 2011/12 em 16 milhões de toneladas. A Ocepar, que representa as cooperativas agropecuárias do Paraná, já trabalha com 17 milhões, sendo 4 milhões embarcadas a partir do Estado.

*Fonte: Valor Econômico – 10/09/2012