Brasil volta a atrair gestores globais

Os gestores de ações de mercados emergentes globais estão mais otimistas com o Brasil e com o mercado de renda variável no segundo semestre. O país recebeu a terceira maior alocação dos fundos de ações entre os emergentes – US$ 1,829 bilhão no ano, até 8 de agosto, atrás da China e Coreia do Sul, segundo dados da consultoria EPFR Global.

“Temos visto mais entradas do que saídas em nossos portfólios de ações dedicados a mercados emergentes, refletindo a boa performance dessas classes de ativos, apesar do ânimo geral de prudência que aparentemente prevalece”, afirmou Jim O”Neill, criador do termo Bric e presidente da Goldman Sachs Asset Management. Para ele, a China fará um “pouso suave” este ano, o que beneficia as ações atreladas a commodities.

Depois de um período de pessimismo em relação à economia brasileira, os gestores de ações de mercados emergentes estão mais otimistas com o Brasil e com o mercado de renda variável no segundo semestre. O país recebeu a terceira maior alocação dos fundos de ações entre os emergentes no ano, atraindo US$ 1,829 bilhão até 8 de agosto, atrás apenas de China e Coreia do Sul, segundo dados da consultoria EPFR Global.

O aumento do apetite por ativos de risco ressurge em meio à expectativa de novas rodadas de estímulo monetário por parte dos bancos centrais dos países desenvolvidos e uma melhora da atividade econômica, devido principalmente a uma retomada dos investimentos na China. Tal leitura beneficia a alocação em ações de mercados emergentes, principalmente para os mais atrelados a commodities como a bolsa brasileira, que acumula no ano alta de 4,45%. “Temos visto mais entradas do que saídas em nossos portfólios de ações dedicados a mercados emergentes, refletindo a boa performance dessas classes de ativos, apesar do ânimo geral de prudência que aparentemente prevalece”, afirma Jim O”Neill, criador do termo Bric para o grupo de países que inclui Brasil, Rússia, Índia e China, hoje presidente da Goldman Sachs Asset Management.

Nos fundos dedicados a mercados emergentes da gestora BlackRock, a posição do Brasil está 30% maior que a há um ano. “Estamos com uma posição acima da média do mercado (overweight) em Brasil”, afirma Luiz Soares, responsável pela área de mercados emergentes da BlackRock. A gestora tem procurado investir em empresas menores, do segmento “middle cap” – com valor intermediário de capitalização de mercado – como Localiza, Marcopolo e Cetip. “Gostamos de empresas que são líderes em seus setores e estão ganhando participação de mercado”, afirma Soares.

A gestora AlliansceBernstein também está com uma posição acima da média do mercado para Brasil nos fundos dedicados a mercados emergentes e globais e vê oportunidades principalmente nos papéis de empresas de materiais básicos, como a Vale e a Petrobras, que estão com os preços descontados. “A adoção de estímulos na China para investimentos em projetos de infraestrutura deve ter impacto positivo para os preços de materiais básicos como o minério de ferro, o que deve beneficiar as ações da Vale”, diz Jean van Walle, chefe para mercados emergentes da AlliansceBernstein.

O investidor Mark Mobius, um dos maiores especialistas em mercados emergentes e presidente-executivo da Templeton Emerging Markets Group, destaca que, apesar do crescimento fraco do PIB brasileiro no primeiro trimestre, o Brasil tem gozado de um boom de exportações, beneficiado pela demanda da China por commodities brasileiras e política monetária expansionista nas nações desenvolvidas. “Em particular, gostamos dos setores de energia, financeiro e de materiais básicos.” O gestor também vê oportunidades em empresas voltadas para produtos de consumo básico como bebidas, fumo e cosméticos.

Para O”Neill, a China deve apresentar um “pouso suave” neste ano, o que deve beneficiar as ações atreladas a commodities. Nesse sentido, a Goldman Sachs passou a olhar mais os papéis de empresas brasileiras de setores cíclicos como mineração, petróleo e siderúrgicas. “Os papéis desses setores estão mais baratos, mas é preciso ser seletivo”, afirma Gabriella Antici, chefe da Goldman Sachs Asset Management Brasil.

A gestora está com uma posição em Brasil nos portfólios ligeiramente acima da média do mercado. Além dos setores cíclicos, uma parcela também está alocada em papéis “defensivos” – com maior previsibilidade de resultados – como energia, telecomunicação e consumo básico. Segundo Gabriella, a bolsa brasileira foi impactada pela revisão para baixo da projeção de lucros das empresas.

Os gestores esperam uma recuperação da economia no segundo semestre, que já deve refletir os efeitos das medidas do governo para estimular o crescimento do PIB. A maior preocupação é com a maior intervenção do governo na economia. “Primeiro houve intervenção nos setores de petróleo e mineração, depois em energia, bancos e agora telefonia. Isso faz com que sejamos um pouco mais cautelosos nas posições”, diz Soares, da BlackRock.

*Fonte: Valor Econômico – 13/08/2012