Brasil perde liderança na produção de minério

Líder no mercado mundial de minério de ferro até a deflagração da crise financeira de 2008, o Brasil perdeu para a Austrália a hegemonia, embora a Vale ainda lidere, isoladamente, o comércio do insumo. A mineradora brasileira trabalha agora com um horizonte de cinco anos para que o País recupere o mercado perdido em meio à crise.

O diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castelo Branco, disse ontem que o prazo de 2017 para retomada da posição ocupada até 2008 se baseia na entrada em operação do megaprojeto Serra Sul, no Pará. Orçado em US$ 20 bilhões, o investimento – que aguarda ainda a liberação de questões ambientais – é o maior do setor de mineração no mundo.

“Nós brasileiros perdemos participação para a Austrália, mas com esse projeto vamos recuperar participação de mercado”, afirmou o executivo, que participou do seminário Brazil Economic Summit. Desde 2008, a Vale vem perdendo participação no segmento. Nos últimos anos, a Vale não conseguiu ampliar significativamente sua capacidade.

Mas, para Castelo Branco, o horizonte é promissor. Para 2013, a expectativa é aumentar em 40 milhões de toneladas a capacidade das minas de Carajás, no Pará. O projeto de Serra Sul permitirá um salto ainda maior, acrescentando em 90 milhões de toneladas a produção anual.

Liderança. A Vale lidera o setor com folga, com 300 milhões de toneladas por ano. O segundo lugar fica com a anglo-australiana Rio Tinto, com uma produção bem inferior, de 190 milhões de toneladas de minério por ano. “É uma diferença grande, que pretendemos ampliar”, disse. E completou: “A Vale está bem preparada para enfrentar os desafios futuros”.

Castelo Branco disse que o projeto Serra Sul está com o cronograma em dia, apesar dos problemas com o licenciamento ambiental da obra de expansão da ferrovia que integra o projeto: “Estamos recorrendo à instância superior e acreditamos que vamos vencer, pois não fizemos nada de errado. Estamos fazendo as coisas certas”.

China. O diretor traçou um cenário de mudanças estruturais e crescimento mais baixo para a China, mas descarta uma recessão ou desaceleração muito forte. Segundo ele, se o crescimento chinês ficar entre 7% e 8% ao ano já será muito bom. Mas as taxas de crescimento da economia chinesa em torno de 10% ficaram para trás.

*Fonte: O Estado de S. Paulo – 15/08/2012